Monitor do Mercado da Habitação.
Lisboa e Portugal. 3.º trimestre 2026.
Uma leitura trimestral do mercado, feita do lado do comprador: o que fazem os preços e as vendas, onde Lisboa é mais cara ou mais barata, quanto custa hoje um crédito e que regras de 2026 mexem nas suas contas. Todos os números têm fonte e data. Não temos imóveis para lhe vender.
Os preços continuam a subir depressa. Tudo à volta está a arrefecer.
- Os preços sobem 16,5% num ano, mas o ritmo abranda há dois trimestres seguidos (era 18,9% no fim de 2025). As casas usadas sobem mais (+18,0%) do que as novas (+12,3%).
- Vendem-se menos casas. As vendas caíram pelo terceiro trimestre seguido (−6,4% no 2.º trimestre). O valor recorde das vendas vem agora do preço, não do volume.
- O crédito ficou mais caro e mais difícil. O BCE subiu as taxas em junho e em setembro, a taxa média dos novos créditos voltou aos 3,00% e, desde 1 de agosto, o Banco de Portugal limita a prestação a 45% do rendimento líquido (eram 50%).
- Os compradores estrangeiros estão a recuar. Quem tem domicílio fiscal fora de Portugal comprou 4,7% das casas no 2.º trimestre, menos 10% do que há um ano. Desde 25 de maio, os não residentes pagam IMT à taxa única de 7,5%.
- A nossa leitura para quem compra: há mais margem para negociar do que há um ano, sobretudo em casas que estão há meses à venda (em Lisboa, os vendedores baixam o preço 2,6 vezes por cada vez que o sobem), mas nenhum sinal de descida de preços: a oferta nova continua escassa, com cerca de 7.400 casas novas concluídas no 2.º trimestre.
Ainda a dois dígitos, agora a abrandar.
Os preços da habitação em Portugal subiram 16,5% no ano até ao 2.º trimestre de 2026 e 3,6% no trimestre. Continua a ser dos ritmos mais rápidos da zona euro, mas é o segundo trimestre de abrandamento depois do pico de 18,9% no fim de 2025.
Ver os números
| Trimestre | Homóloga | Em cadeia |
|---|---|---|
| 1T 24 | +7,0% | +0,6% |
| 2T 24 | +7,8% | +3,9% |
| 3T 24 | +9,8% | +3,7% |
| 4T 24 | +11,6% | +3,0% |
| 1T 25 | +16,3% | +4,8% |
| 2T 25 | +17,2% | +4,8% |
| 3T 25 | +17,7% | +4,1% |
| 4T 25 | +18,9% | +4,0% |
| 1T 26 | +17,8% | +3,8% |
| 2T 26 | +16,5% | +3,6% |
A diferença entre casas usadas (+18,0% num ano) e novas (+12,3%) conta para quem compra: é no mercado de usados, onde se faz a maioria das compras em Lisboa, que os preços estão mais quentes.
O número de vendas cai. O valor só aguenta por causa do preço.
2025 foi um ano recorde: 169.812 casas vendidas, por 41,2 mil milhões de euros. Desde o 4.º trimestre de 2025, o número de vendas caiu em termos homólogos três vezes seguidas, enquanto o valor ainda cresce ligeiramente.
Ver os números
| Trimestre | Casas vendidas | Homóloga | Valor | Homóloga |
|---|---|---|---|---|
| 1T 24 | 33.077 | −4,1% | €6,7 mil M | −1,8% |
| 2T 24 | 37.125 | +10,4% | €7,9 mil M | +14,1% |
| 3T 24 | 40.909 | +19,4% | €9,1 mil M | +28,0% |
| 4T 24 | 45.214 | +32,5% | €10,2 mil M | +41,8% |
| 1T 25 | 41.358 | +25,0% | €9,6 mil M | +42,9% |
| 2T 25 | 42.889 | +15,5% | €10,3 mil M | +30,4% |
| 3T 25 | 42.481 | +3,8% | €10,5 mil M | +16,0% |
| 4T 25 | 43.084 | −4,7% | €10,8 mil M | +5,9% |
| 1T 26 | 37.745 | −8,7% | €9,9 mil M | +3,2% |
| 2T 26 | 40.142 | −6,4% | €10,7 mil M | +4,2% |
O que isto quer dizer para quem compra: menos vendas com preços a subir costuma significar que os vendedores ainda pedem caro, mas há menos compradores que conseguem pagar. É aí que negociar compensa: imóveis à venda há meses e vendedores que já baixaram uma vez são onde se deve insistir.
€3.250/m² de diferença dentro da mesma cidade.
O preço mediano de venda em Lisboa nos 12 meses até março de 2026 foi €5.082/m², mais 15,2%. Dentro da cidade, vai dos €3.733/m² em Santa Clara aos €6.986/m² em Santo António. A média da cidade diz pouco sobre uma rua concreta.
Ver os números
| Freguesia | €/m² | Homóloga |
|---|---|---|
| Santo António | €6.986 | n.d. |
| Parque das Nações | €6.407 | n.d. |
| Avenidas Novas | €6.000 | n.d. |
| Campo de Ourique | €5.979 | n.d. |
| Misericórdia | €5.913 | n.d. |
| Estrela | €5.833 | n.d. |
| Belém | €5.498 | n.d. |
| Campolide | €5.486 | n.d. |
| São Domingos de Benfica | €5.182 | n.d. |
| Ajuda | €5.161 | +23,9% |
| Alvalade | €5.041 | n.d. |
| Marvila | €5.008 | −0,4% |
| Santa Maria Maior | €5.000 | −0,5% |
| Areeiro | €4.963 | n.d. |
| São Vicente | €4.954 | n.d. |
| Alcântara | €4.938 | n.d. |
| Arroios | €4.776 | n.d. |
| Lumiar | €4.670 | +17,5% |
| Benfica | €4.631 | +15,3% |
| Beato | €4.600 | n.d. |
| Carnide | €4.553 | n.d. |
| Penha de França | €4.465 | +19,2% |
| Olivais | €4.296 | +16,1% |
| Santa Clara | €3.733 | n.d. |
Três coisas saltam à vista
- O centro histórico parou. Santa Maria Maior (−0,5%) e Marvila (−0,4%) ficaram estáveis ou desceram ligeiramente, enquanto a cidade subiu 15%. Os preços de entrada muito altos e os limites ao novo alojamento local no centro são os travões mais prováveis.
- As freguesias periféricas estão a recuperar terreno. Ajuda (+23,9%), Penha de França (+19,2%), Lumiar (+17,5%), Olivais (+16,1%) e Benfica (+15,3%) ficaram todas acima da média da cidade. Quem deixou de conseguir comprar no centro parece estar a mudar-se um anel para fora.
- Os estrangeiros pagam mais pela mesma cidade. Em Lisboa, os compradores com domicílio fiscal fora de Portugal pagaram uma mediana de €6.325/m², contra €5.000/m² dos residentes: mais 26%, muito provavelmente porque se concentram nas freguesias mais caras e em casas mais novas.
Ver os números
| Concelho | €/m² | Homóloga |
|---|---|---|
| Lisboa | €5.082 | +15,2% |
| Cascais | €4.687 | +11,9% |
| Oeiras | €4.297 | +18,0% |
| Porto | €3.510 | +16,7% |
| Odivelas | €3.462 | +20,4% |
| Almada | €3.267 | +19,1% |
| Loures | €3.191 | +17,9% |
| Amadora | €3.143 | +22,4% |
| Sintra | €2.908 | +26,6% |
| Seixal | €2.800 | +24,3% |
À volta de Lisboa, o crescimento mais rápido está no anel mais barato: Sintra (+26,6%), Seixal (+24,3%) e Amadora (+22,4%). Cascais foi o que menos subiu (+11,9%), a partir de uma base mais alta.
O INE publica os preços locais do 2.º trimestre de 2026 a 23 de outubro. Atualizamos esta secção nessa altura.
Os vendedores estão a baixar. Os preços pedidos estagnaram.
Os dados oficiais mostram por quanto se venderam as casas há meses. Os anúncios mostram o que os vendedores estão a fazer agora. Nos cerca de 9.474 apartamentos à venda em Lisboa entre julho e outubro de 2026, os vendedores baixaram o preço 2.555 vezes e subiram-no 990 vezes: 2,6 descidas por cada subida.
Os preços pedidos pelos apartamentos em Lisboa subiram apenas cerca de 3% no último ano, enquanto os preços de venda registados ainda subiam perto de 15%. Quando os preços pedidos deixam de subir e as descidas são mais do dobro das subidas, os preços de venda costumam abrandar uns meses depois. É o sinal mais claro neste Monitor de que o mercado está a virar a favor de quem compra.
Ver os números, com os preços pedidos
| Freguesia | Preço pedido €/m² (jul.–out. 2026) | Preço de venda €/m² (INE, 12 meses até mar. 2026) | Apartamentos à venda | Descidas / anúncios |
|---|---|---|---|---|
| Santo António | €7.761 | €6.986 | 630 | 34% |
| Misericórdia | €6.979 | €5.913 | 692 | 27% |
| Campo de Ourique | €6.891 | €5.979 | 325 | 30% |
| Estrela | €6.856 | €5.833 | 594 | 24% |
| Avenidas Novas | €6.851 | €6.000 | 502 | 24% |
| Santa Maria Maior | €6.778 | €5.000 | 786 | 22% |
| Parque das Nações | €6.588 | €6.407 | 335 | 20% |
| Belém | €6.341 | €5.498 | 220 | 23% |
| Campolide | €6.264 | €5.486 | 242 | 31% |
| Alcântara | €6.161 | €4.938 | 231 | 26% |
| Alvalade | €5.987 | €5.041 | 323 | 22% |
| São Vicente | €5.874 | €4.954 | 568 | 35% |
| Benfica | €5.734 | €4.631 | 678 | 33% |
| Arroios | €5.641 | €4.776 | 923 | 27% |
| Ajuda | €5.579 | €5.161 | 143 | 20% |
| São Domingos de Benfica | €5.509 | €5.182 | 349 | 23% |
| Penha de França | €5.283 | €4.465 | 491 | 36% |
| Areeiro | €5.267 | €4.963 | 221 | 18% |
| Carnide | €5.188 | €4.553 | 74 | 16% |
| Beato | €5.097 | €4.600 | 153 | 33% |
| Lumiar | €5.097 | €4.670 | 328 | 21% |
| Olivais | €4.920 | €4.296 | 345 | 28% |
| Marvila | €4.771 | €5.008 | 194 | 20% |
| Santa Clara | €4.140 | €3.733 | 127 | 20% |
Os preços pedidos são médias dos anúncios atuais; os preços de venda do INE são medianas de escrituras de um período anterior. Não são diretamente comparáveis, e a diferença exagera a margem para negociar. Faremos a comparação no mesmo período quando o INE publicar os preços locais do 2.º trimestre, a 23 de outubro.
Onde insistir mais
- Mais descidas: Penha de França (36%), São Vicente (35%), Santo António (34%), Benfica e Beato (33%). São as freguesias onde os vendedores mais vezes tiveram de baixar.
- Menos descidas: Carnide (16%), Areeiro (18%), Ajuda, Lumiar, Parque das Nações e Marvila (20–21%). Aqui os vendedores estão a aguentar o preço, por isso conte com menos margem.
- Mais oferta: Arroios (923 apartamentos), Santa Maria Maior (786) e Misericórdia (692) são as freguesias com mais escolha no mercado.
As rendas sobem menos do que os preços. A rentabilidade continua a encolher.
As rendas dos novos contratos em Lisboa subiram 5,1% num ano, um terço do ritmo dos preços. Uma rentabilidade bruta de cerca de 4% (12 meses de renda mediana, 12 × €17,43, sobre o preço mediano de venda de €5.082/m², ambos a 12 meses) mostra que Lisboa é um mercado de valorização, não de rendimento. Comprar para arrendar só compensa no imóvel certo e ao preço certo, normalmente fora das freguesias prime. A nova taxa de 10% para rendas até €2.300 por mês melhora o retorno líquido e, para os não residentes, arrendar a esse valor nos seis meses seguintes é uma das duas formas de recuperar o IMT extra.
Fontes: INE, rendas de novos contratos de arrendamento, 2.º trim. 2026 (via ECO e Observador, 29 set. 2026); Decreto-Lei n.º 97/2026.
Mais casas licenciadas, mas ainda a conta-gotas.
No 2.º trimestre de 2026 foram licenciadas 11.800 casas novas (+10,8% homólogo) e concluídas 7.400 (+11,6%). Está a subir, mas a partir de uma base baixa, e é pouco face às cerca de 40.000 vendas por trimestre, na maioria de casas usadas. Desde 1 de julho, o IVA na construção ou reabilitação de habitações elegíveis desceu para 6%, o que deve ajudar, mas as obras levam dois a quatro anos a chegar ao mercado. A oferta nova não vai fazer descer os preços no próximo ano.
Fonte: INE, estatísticas da construção, 2.º trim. 2026 (via idealista e ECO, 11 set. 2026); Decreto-Lei n.º 97/2026.
Dinheiro mais caro, regras mais apertadas.
| Taxa | Nível | Data |
|---|---|---|
| Taxa de depósito do BCE | 2,50% | Subidas a 11 jun. e 10 set. 2026 |
| Euribor a 3 meses | 2,602% | 7 out. 2026 |
| Euribor a 6 meses | 2,954% | 7 out. 2026 |
| Euribor a 12 meses | 3,177% | 7 out. 2026 |
| Taxa média, novos créditos à habitação | 3,00% | Ago. 2026 (2,88% um ano antes) |
| Peso da taxa mista nos novos créditos | 87% | Ago. 2026, média de 2,86% |
| Regra do Banco de Portugal (desde 1 ago. 2026) | Valor |
|---|---|
| Rácio máximo financiamento/garantia (LTV) | 90% habitação própria · 80% outras |
| Prestação face ao rendimento líquido (DSTI) | 45% no máximo (eram 50%) |
| Teste de stress à taxa | +1,5 pontos (empréstimos acima de 10 anos) |
| Prazo máximo | 40 anos até aos 35 anos de idade · 35 anos nos restantes |
| Garantia pública, compradores até 35 anos | Financiamento até 100%, contratos até 31 dez. 2026 |
O que isto quer dizer em euros
Uma casa de €400.000 para habitação própria, com crédito a 90% (€360.000) a 30 anos, custa cerca de €1.518 por mês a 3,0%. O banco tem de confirmar que conseguiria pagar a 4,5%: cerca de €1.824 por mês. Com o limite de 45%, isso aponta para um rendimento líquido do agregado de cerca de €4.050 por mês ou mais, antes de outros créditos. Esticar para 40 anos (só até aos 35 anos de idade) baixa a prestação para cerca de €1.289, mas acrescenta anos de juros.
Atenção ao calendário: o BCE reúne a 28–29 de outubro e a 17 de dezembro. A garantia pública para jovens cobre contratos assinados até 31 de dezembro de 2026, e a meio do ano já tinham sido usados 56% do montante. Conte com uma corrida de compradores jovens até ao fim do ano.
Fontes: comunicado do BCE de 10 set. 2026; Euribor via ComparaJá, 7 out. 2026; estatísticas de novos empréstimos do Banco de Portugal, ago. 2026 (via ECO e DN, 1 out. 2026); Recomendação 1/2026 do Banco de Portugal (via ECO, 2 jul. 2026); idealista sobre a garantia pública, 29 jul. 2026. Prestações calculadas por nós, em regime de prestação constante, sem seguros nem comissões.
Sete mudanças que mexem nas contas de quem compra.
| Mudança | O que é | Porque lhe interessa |
|---|---|---|
| IMT para não residentes | Taxa única de 7,5% na compra de habitação por quem não é, nem nunca foi, residente fiscal em Portugal. Desde 25 de maio de 2026. | A diferença para as taxas normais é devolvida se passar a residente no prazo de 2 anos, ou se arrendar até €2.300/mês nos 6 meses seguintes, durante 36 meses. O pedido tem de ser feito em 6 meses. |
| IMT Jovem | Até aos 35 anos, primeira habitação própria e permanente: sem IMT nem Imposto do Selo até €330.539; entre €330.539 e €660.982, paga só sobre a parte acima de €330.539. | Vale cerca de €12.900 em IMT e Imposto do Selo numa casa de €300.000. |
| Limites ao crédito | Prestação limitada a 45% do rendimento líquido (eram 50%); prazo até 40 anos até aos 35 anos de idade, 35 nos restantes. Desde 1 de agosto de 2026. | Faça as contas à prestação com stress, não à de hoje. |
| IRS sobre rendas | 10% em contratos até €2.300/mês, de 2026 a 2029 (taxa normal de 25%). | Melhora a rentabilidade líquida do arrendamento a preços médios. |
| IVA na construção | 6% na construção ou reabilitação de habitação própria permanente até €660.982, ou para arrendar até €2.300/mês. Desde 1 de julho de 2026. | Baixa o orçamento de obras em projetos elegíveis. |
| Nacionalidade | Passam a ser precisos 10 anos de residência legal (7 para cidadãos da UE e da CPLP). Em vigor desde 19 de maio de 2026. | Um caminho mais longo para quem conta com um segundo passaporte. |
| Golden Visa | A via imobiliária acabou em outubro de 2023. A via principal é €500.000 em fundos de investimento elegíveis; fundos que investem em imobiliário não contam. | Comprar casa, por si só, já não dá direito a autorização de residência. |
Fontes: Decreto-Lei n.º 97/2026; Recomendação 1/2026 do Banco de Portugal; Lei Orgânica n.º 1/2026 (Ministério da Justiça); Lei n.º 56/2023. Informação geral, não é aconselhamento fiscal nem jurídico.
A mesma casa, quatro faturas de impostos diferentes.
Impostos pagos na compra (IMT mais 0,8% de Imposto do Selo), por tipo de comprador. Dependem hoje tanto de quem é como do preço. Portugal Continental, tabelas de 2026.
Como funciona o IMT Jovem (até aos 35 anos, primeira habitação própria e permanente): até €330.539 não paga nada. Entre €330.539 e €660.982 paga 8% de IMT e 0,8% de Imposto do Selo só sobre a parte acima de €330.539, ou seja, €13.557 + €1.356 numa casa de €500.000. Acima de €660.982 a isenção desaparece por completo e paga o mesmo que qualquer residente na compra da sua casa. Os não residentes pagam IMT à taxa única de 7,5% sobre o valor total, com devolução da diferença se passarem a residentes no prazo de dois anos. Acima de €1.150.853 todos pagam os mesmos 7,5%.
| Preço | Primeira casa, até 35 anos | Habitação própria | Secundária ou investimento | Não residente |
|---|---|---|---|---|
| €300.000 | €0 IMT €0 + selo €0 | €12.942 IMT €10.542 + selo €2.400 | €14.006 IMT €11.606 + selo €2.400 | €24.900 IMT €22.500 + selo €2.400 |
| €500.000 | €14.913 IMT €13.557 + selo €1.356 | €30.237 IMT €26.237 + selo €4.000 | €31.300 IMT €27.300 + selo €4.000 | €41.500 IMT €37.500 + selo €4.000 |
| €800.000 | €54.400 IMT €48.000 + selo €6.400 | €54.400 IMT €48.000 + selo €6.400 | €54.400 IMT €48.000 + selo €6.400 | €66.400 IMT €60.000 + selo €6.400 |
| €1.500.000 | €124.500 IMT €112.500 + selo €12.000 | €124.500 IMT €112.500 + selo €12.000 | €124.500 IMT €112.500 + selo €12.000 | €124.500 IMT €112.500 + selo €12.000 |
Cálculo nosso com base nas tabelas de IMT de 2026 (art. 17.º do CIMT) e no DL n.º 97/2026. Não inclui o Imposto do Selo sobre o crédito (0,6% do empréstimo), escritura, registos nem honorários. Para outro valor: simulador de IMT.
Quatro compradores, quatro estratégias.
Primeira casa, até aos 35 anos
A janela é agora: o IMT Jovem e a garantia pública (contratos até 31 de dezembro de 2026) podem poupar cerca de €13.000 em impostos numa casa de €300.000 e resolver o problema da entrada. Tenha primeiro a aprovação do crédito; o limite de 45% é calculado com uma taxa agravada. Procure um anel para fora (Penha de França, Olivais, Lumiar, Benfica, ou Amadora e Odivelas), onde o orçamento rende mais.
Família a comprar ou a trocar de casa
Haver menos vendas joga a seu favor. Procure casas à venda há mais de 60 dias e negocie a partir da mediana da freguesia, não do preço pedido. Se também vai vender, venda primeiro ou feche os dois negócios em conjunto: não quer ficar com duas casas às costas com as taxas a subir.
Quem se muda para Portugal
Planeie a ordem dos passos. Se comprar antes de ser residente fiscal, paga 7,5% de IMT à cabeça (€37.500 em €500.000) e tem de pedir a diferença de volta dentro dos prazos. Passar a residente primeiro, ou arrendar nos primeiros meses, costuma sair mais barato. Confirme o que o seu visto e o seu regime fiscal (D7, D8, IFICI) exigem antes de assinar.
Investidor
Rentabilidades brutas de cerca de 4% em Lisboa não pagam o risco por si só. O argumento é a valorização mais o imóvel certo: arrendamento a preços médios abaixo de €2.300 por mês (taxa de 10%), reabilitações com IVA a 6%, ou freguesias periféricas onde rendas e preços ainda têm margem para crescer. Se procura rendimento, compare com fundos imobiliários regulados.
O nosso cenário central: subidas mais lentas, não uma descida.
A subida dos preços continua a abrandar com as taxas e os novos limites ao crédito; as vendas ficam abaixo de 2025. A oferta continua curta, por isso os preços não descem. Confiança: moderada.
O BCE faz uma pausa ou baixa as taxas em 2027, a garantia para jovens é prolongada e a procura estrangeira recupera. A subida mantém-se a dois dígitos.
Mais subidas do BCE, uma queda mais forte das vendas e perda de emprego. As freguesias mais caras de Lisboa corrigiriam primeiro. Pouco provável a 12 meses, mas com probabilidade a aumentar.
Os riscos que acompanhamos
- Sobrevalorização. A Comissão Europeia estimou que as casas em Portugal estavam cerca de 35% sobrevalorizadas (dados de 2024). O FMI (setembro de 2026) diz que os preços "parecem elevados", com uma subida de 169% desde 2015 contra 55% na zona euro. O Banco de Portugal aponta uma correção de preços como o seu principal risco interno.
- Crédito. Cada nova subida do BCE e o limite de 45% à prestação reduzem o número de compradores que conseguem financiamento.
- O fim da garantia. Se a garantia pública para jovens não for prolongada para além de 31 de dezembro de 2026, a procura no segmento mais baixo pode cair no início de 2027.
Os cenários são a opinião da Lisbonest Research, não uma previsão em que deva basear-se. Fontes: Comissão Europeia (via ECO, 15 out. 2025); FMI, FSAP (via idealista, 22 set. 2026); Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, maio de 2026 (via Observador).
Datas a acompanhar
| Data | O quê |
|---|---|
| 23 out. 2026 | INE, preços locais do 2.º trimestre de 2026 (freguesias de Lisboa) |
| 28–29 out. 2026 | Decisão de taxas do BCE |
| 17 dez. 2026 | Decisão de taxas do BCE |
| Final de dez. 2026 | INE, índice de preços e vendas do 3.º trimestre de 2026 · próxima edição deste Monitor |
| 31 dez. 2026 | Último dia para contratos com a garantia pública para jovens |
Quer isto para uma rua, não para a cidade inteira?
Envie-nos o anúncio ou a morada. Dizemos-lhe como o preço compara com as vendas recentes na freguesia, quanto pagaria realmente de impostos e onde há margem para negociar. Sem custos, e nunca trabalhamos para o vendedor.
Perguntar sobre um imóvelReceba a próxima edição em primeira mão.
O Mercado Lisboa é a nossa nota mensal curta: os números do mês, três imóveis que vale a pena ver e uma dúvida sobre comprar casa respondida. O Capital Report trata de private wealth e fundos, de dois em dois meses.
SubscreverOs preços são medianas do INE de preços efetivos de venda (não preços pedidos), salvo indicação em contrário. Os valores "12 meses até março de 2026" atenuam as oscilações de cada trimestre; os valores de um só trimestre estão identificados. Quando os dados do INE nos chegam através de terceiros, dizemo-lo. A Lisbonest Research é a área de estudos da Lisbonest (Narrativa Credível Unipessoal, Lda., AMI 22293). Este Monitor é informação geral, não é aconselhamento de investimento, fiscal nem jurídico.
- INE, índice de preços e vendas, 2.º trim. 2026 (Notícias ao Minuto, 22 set. 2026)
- INE, divulgação do 2.º trim. 2026 (RTP, 22 set. 2026)
- AICCOPN, tabelas com dados do INE, junho de 2026
- Compradores não residentes, 2.º trim. 2026 (Observador, 22 set. 2026)
- INE, preços da habitação ao nível local, 1.º trim. 2026 (destaque, 17 jul. 2026)
- Medianas por freguesia de Lisboa, compiladas a partir do INE · medianas por concelho, compiladas a partir do INE
- INE, rendas, 2.º trim. 2026 (ECO, 29 set. 2026)
- BCE, decisão de política monetária, 10 set. 2026
- Banco de Portugal, taxas dos novos créditos, ago. 2026 (ECO, 1 out. 2026)
- Banco de Portugal, limites ao crédito desde 1 ago. 2026 (ECO)
- Garantia pública para jovens (idealista, 29 jul. 2026)
- INE, licenciamento e conclusões, 2.º trim. 2026 (idealista)
- Decreto-Lei n.º 97/2026, calendário (idealista)
- Lei da Nacionalidade, em vigor a 19 de maio de 2026 (Ministério da Justiça)
- IMT Jovem: isenção total e parcial (Portal da Literacia Financeira)
- Comissão Europeia, estimativa de sobrevalorização (ECO) · FMI, FSAP (idealista)